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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Tatiana Blass na Caixa Cultural SP

A Caixa Cultural São Paulo inaugura, no dia 19 de março, a exposição de Tatiana Blass, na galeria D. Pedro II, no centro da capital paulista. A mostra, com texto e a curadoria do crítico de arte José Augusto Ribeiro, começa por São Paulo e segue para os espaços da Caixa Cultural em Salvador e Brasília, com acervo que reúne cerca de 14 obras, entre pinturas, tridimensionais e vídeo – parte delas inédita – que compõem um apanhado da produção da artista nos últimos cinco anos.
Em comum, os trabalhos pensam as condições da experiência estética, no sentido “forte” de produção de conhecimento, ao negar a possibilidade de consumação do espetáculo e frustrar a expectativa por resultados “eficazes” e instantâneos na relação do sujeito com o trabalho de arte. As peças referem-se a diferentes manifestações do campo da cultura – à música, ao teatro, à literatura, ao circo, além, claro, das artes visuais –, quase sempre por meio de formas fraturadas, fechadas em circuitos ou em dissolução, cada uma no limite de sua respectiva linguagem, à beira da invisibilidade e do silêncio.
A mostra pretende, com este conjunto, apresentar ao público visitante um dos aspectos mais instigantes da obra de Tatiana Blass: justamente a diversidade de meios e suportes, mobilizados numa reflexão crítica sobre a visualidade e a percepção, sobre o poder sugestivo das imagens e a produção de sentido pelo observador.
A produção de Blass singulariza-se por abarcar problemas amplos, ligados à representação – para além daqueles vinculados apenas a especificidades técnicas, seja da pintura, da escultura, da literatura ou da imagem em movimento. E por se arriscar em formalizações que ultrapassam o controle absoluto sobre materiais de que lança mão – seja a tinta acrílica, a parafina, as chapas de latão com resistência elétrica ou os animais empalhados. A mostra exibe peças anteriores da artista e outras inéditas, com o objetivo de oferecer uma visada abrangente da trajetória em curso, inclusive com um encetamento para os próximos passos da produção.
Tatiana Blass apesar de jovem vem se destacando com seus trabalhos e já recebeu importantes prêmios como o do 14º Salão da Bahia (2007), MAM-BA (Prêmio Aquisição, 2004), Prêmio CNI-Sesi Marcantonio Vilaça (pré-seleção, 2004) e Programa de Exposições do Centro Cultural São Paulo (Prêmio Aquisição, 2003).

Tatiana Blass
Do dia 19 de março até 01 de maio
Caixa Cultural - Sé
Pça. da Sé, 111 - Sé - Centro
Telefone: 3321-4400
De terça a domingo: 9h às 21h
Grátis

sexta-feira, 5 de março de 2010

Teatro para Cachorros e Aviões

Em sua segunda exposição individual na Galeria Millan, um dos expoentes da nova geração, Tatiana Blass, apresenta a exposição Teatro para cachorros e aviões. São pinturas e esculturas que remetem à ideia de despedida: aviões partindo e cachorros indo embora, esses últimos absorvidos pelas pinturas e derretidos nas esculturas. Desdobramento da série Teatro da despedida, as novas esculturas em forma de cães de parafina irão se derreter no decorrer da exposição, em processo de desconstrução, como uma performance. Em uma das figuras, os ossos do animal surgirão aos poucos, à medida que o refletor de luz, direcionado para a escultura, irá aquecer a parafina. A outra peça inédita, encrustrada na parede da galeria, tem o negativo do molde do cachorro fundido em latão. A parte em positivo, de parafina, sofrerá o mesmo processo de derretimento, fazendo surgir o latão de dentro da parede.Haverá ainda, na vitrine que ocupa o corredor da galeria, a escultura Cão cego, já exibida na capela do MAM-Bahia, em Salvador, em agosto de 2009. Moldada a partir de cachorro deitado no chão, tem partes do corpo do animal em latão fundido e partes com parafina derretida, "criando uma convivência de materiais com temperamentos diversos em uma sófigura". Já o conjunto de pinturas, parte da série Teatro para cachorros e aviões, se aproxima da linguagem do teatro, uma vez que cachorros, aviões e outras figuras aparecem como personagens de uma peça. "As obras refletem sobre a pintura como construção ficcional, emque o espaço ilusório da tela é somado ao espaço ilusório do palco de teatro, criando a encenação de uma narrativa em aberto", explica Tatiana Blass. Na sala superior da galeria, a artista apresenta pinturas acompanhadas de texto escrito porela mesma, intitulado também Teatro da despedida. Cada uma das pinturas corresponde aum parágrafo do texto, todos impressos em um pequeno livreto disponível para o público. Segundo Tatiana Blass, a figura recorrente dos cachorros aparece por sua incapacidade derepresentar. "Estão como atores da vida comum, que vagam pela cena, sem um comportamento predestinado". Já a referência ao palco de teatro, de acordo com a artista,aparece nestas pinturas e esculturas como um lugar cotidiano, ou mesmo o próprio mundo,como se ali estivesse uma encenação interminável, em que todos vestem seus papéis comtal competência, que o figurino torna-se seu próprio corpo, e mesmo, sua própria identidade."O ator é esquecido e só resta o personagem", completa.

Tatiana Blass - Teatro para Cachorros e Aviões
Até 27 de março de 2010
Galeria Millan
Rua Fradique Coutinho 1360 - São Paulo
De segunda a sexta das 10h às 19h, sábado das 11h às 17h
Tel/Fax: 11.3031-6007 - www.galeriamillan.com.br